Thursday, August 30, 2012

Endometriose e o Método de Ovulação Billings


Endometriose é definida como a presença de tecido endometrial fora do útero. Ocorre em 10-15% das mulheres em idade reprodutiva, e os locais mais frequentes de implantação do endométrio são os ovários, as tubas uterinas, órgãos urinários e intestinais. 

A endometriose é uma doença ginecológica multifatorial, crônica, benigna, estrogênio-dependente. Os sintomas característicos são infertilidade, cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, alterações do hábito intestinal (dor à evacuação, hemorragia retal) e urinário (dor na micção e presença de sangue na urina), dor pélvica antes e durante a menstruação, de forma cíclica na época menstrual.

A causa da doença é desconhecida, mas fatores de risco podem incluir início precoce da menstruação, alergias, obesidade e predisposição genética.

Cerca de 30-40% das mulheres com a doença, podem experimentar a infertilidade em virtude de cicatrizes produzidas nos órgãos reprodutivos. 

O MOB é capaz de monitorar a saúde reprodutiva da mulher, pois a manutenção do gráfico diário proporciona um registro preciso dos eventos hormonais, e a percepção de alterações ao longo do ciclo.

Por estar familiarizado com "seus padrões normais de muco cervical ", é provável que a mulher perceba as alterações no ciclo menstrual, logo no estágio inicial da doença, pois seu padrão torna-se perturbado e não pode se desenvolver normalmente, por exemplo a observação de um período menstrual prolongado, manchas ao longo do ciclo, dor cíclica.

Uma vez que a mulher aprende a reconhecer o que é normal "em seu ciclo", torna-se capaz de identificar o que não é.


Tuesday, August 28, 2012

Deixar a pílula


Quem se utiliza de pílula anticoncepcional há muito tempo, pode mudar para o Método de Ovulação Billings imediatamente?

Sim, é claro que pode! 
O primeiro passo é parar com a pílula anticoncepcional e começar a anotar as observações diárias percebidas na vulva.

Num período de 15 dias de registro, que pode se estender até 30 dias, já é possível reconhecer se a fertilidade retornou ou não e determinar o Padrão Básico de Infertilidade (PBI). 

Durante esse período inicial pós-pílula é aconselhável que se evite as relações sexuais, assim as caracterísitcas do padrão do muco não são alteradas pelo fluido seminal, ou pelas secreções associadas com o coito. Após esse tempo as normas comportamentais do método podem ser usadas normalmente.

Muitas mulheres, após deixar a pílula são inférteis por vários meses, o que é facilmente reconhecido. Mudanças deste padrão sugere uma alteração na fertilidade, com a necessidade de um pequeno período sem relações para os que desejam adiar a gestação. Desta forma pode se determinar o retorno da fertilidade.

Deixar a pílula é uma circunstância especial, e o fazê-lo com um instrutor é o ideal.

Friday, August 24, 2012

A mucosa endocervical



A anatomia do canal cervical é muito complexa. A mucosa endocervical é conhecida como glandular, de relevo irregular, apresenta pregas, ondulações, depressões e glândulas. Seu epitélio é formado por uma única camada  de células denominadas colunares, que são muco-secretoras, estas células respondem significativamente aos hormônios do ciclo reprodutivo.
As glândulas endocervicais apresentam um aspecto longo e tubular, algumas são profundas, outras superficiais, sua direção pode ser transversa, obliqua e longitudinal, são de difícil distinção e diferenciação devido ao grande número de pregas, podem ainda bifurcar-se apresentando uma abertura em comum e fundir-se apresentando duas aberturas, fusão que pode acontecer durante a gestacão (Odeblad, 1994). Existem 4 tipos diferentes  de glândulas, que estão distribuídos distintamente no canal cervical, conhecidas como G, L, S e P (figura), cada glândula produz um tipo diferente de muco, denominados muco G, L, S e P, como seus estímulos são hormônio-dependente, apresentam padrão cíclico sendo  observados em fases específicas do ciclo reprodutivo. Entre as aberturas das glândulas, são encontradas células sem diferenciação, denominadas células F, que também produzem um tipo diferente de muco, o muco F, de função fisiológica não identificada até o momento. Sua inervação vem do plexo para-cervical, mas as funções destes ainda é pouco conhecida, o que se sabe é que o neurotransmissor noradrenalina tem um efeito estimulante na secreção de muco S.

Mucus producing cells in a single layer lining an endocervical gland. Distinct cell borders. Round to oval, basally located nuclei of uniform size. Mucus in glandular lumen.




Wednesday, August 22, 2012

Microscopia dos diferentes tipos de muco

As modificações do muco cervical ao longo do ciclo são reflexos dos estímulos hormonais, mas cabe entender que esse muco é produzido em diferentes lugares, as glândulas G, L, S e P, que são facilmente identificados por sua viscosidade.  Já na microscopia óptica, os diferentes tipos de muco, formam malhas de muco que se diferenciam em diâmetro dos poros e estrutura dos cristais.



Tipos de muco
Microscopia
Viscosidade
Hormônio dependência

Muco L
Formação de cristais finíssimos com forma de folhas retangulares
Média
Estrógeno

Muco S
Formação cristais em configuração de "agulhas pequenas e estreitas".


Baixa (muito fluído)
Estrógeno





Muco G
Não apresenta formação de cristais.
Presença de células epiteliais, linfócitos, leucócitos, células com núcleos abundantes.


Alta
Progesterona







Muco P
Apresenta variações

Formação de cristais finíssimos e ramificações hexagonais
Baixa
Estrógeno



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Tuesday, August 21, 2012

Problemas na produção de muco cervical