Tuesday, April 9, 2013

Nutrição e Endometriose


A dieta alimentar tem sido descrita como um importante fator na patogênese de várias doenças, as quais sugerem relação com a Endometriose. O padrão da alimentação tem mudado muito ultimamente para um consumo mais popular baseado no trigo. A utilização de frutas frescas e vegetais tem diminuído desde 1.995. Como o açúcar refinado e farinha de trigo refinada usados na maioria dos alimentos produzidos pela indústria, somente uma fração das vitaminas e minerais encontrados na alimentação natural têm sido ingerida pela população. Desta forma faz-se necessário uma reeducação alimentar para que consigamos estabelecer uma melhor qualidade de vida, associada à prática de exercícios físicos regulares. Seguiremos indicando as vitaminas necessárias ao organismo, suas indicações e os sinais de alerta quando ocorre a sua carência.

TIAMINA (Vit. B1)

Vários distúrbios são causados por deficiências vitamínicas. Uma dieta rica em vitaminas B1 e minerais e minerais essenciais é desejável antes e durante a concepção para manter altos níveis de saturação de enzima. É sabido que altas doses de tiamina podem suprimir a transmissão da dor, pois produzem bloqueio gangliônico suprimindo a transmissão do estímulo neural à musculatura.
Funções: ação sobre sistema nervoso, anemia e músculos.
Fontes: arroz integral, frutos do mar e legumes.

PIRIDOXINA (Vit. B6)

A deficiência de vitamina B6 acarreta diminuição da fagocitose celular. Com isto, células Endometriais oriundas de menstruação retrógrada não são removidas com eficiência acarretando o desenvolvimento da Endometriose. A deficiência de vitamina B6 resulta em depressão, artrose, alteração da função muscular, irritabilidade, nervosismo, alterações da personalidade, fraqueza, insônia e edema. Muitos destes sintomas são freqüentes nas mulheres com Endometriose.
Funções: co-enzima, sistema imunitário, fertilidade, TPM.
Fontes: lêvedo, miúdos – fígado, rins, coração, melão, repolho, melado, ovos, peixe, grãos em geral, amendoins.

COBALAMINA (Vit. B12)

A vit. B12 quando combinada com a vitamina B1 e B6, produz um poderoso efeito anti-inflamatório e analgésico.
Funções: sistema nervoso, sangue – participação dos glóbulos vermelhos e alergias.
Fontes: fígado, carne vermelha, ovos, laticínios e peixes.

VITAMINA C (ácido ascórbico)

Combinada com bioflavonóides e um preparado de enzimas proteolíticas são mais efetivas em reduzir inflamações do que drogas anti-inflamatórias, pois desempenham um papel no mecanismo imune. A ação fisiológica dos bioflavonóides tem um efeito benéfico nas células brancas do sistema imune aumentando a defesa do organismo, e, diminuindo dos níveis da dor, por intermédio da associação das vitaminas C e E. A aspirina pode ser ingerida com maior tranqüilidade quando acompanhada de altas doses de vitamina C, devido ao fato destas vitaminas promoverem um efeito protetor contra a dor causada pelo ácido acetil salicílico.
Funções: antioxidante, aumenta a imunidade.
Fontes: frutos da roseira, groselha preta, brócolis, couve, frutas cítricas, vegetais e frutas frescas.

MAGNÉSIO

Os sintomas causados por sua deficiência incluem insônia, nervosismo, taquicardia, cãibras e cólica menstrual. A fadiga é desgastante para o sistema imune, freqüentemente criando estresse secundário. Mulheres com Endometriose também reclamam de insônia, cãibras e cólicas menstruais. Acredita-se que pessoas com fadiga crônica respondem bem a suplementação de magnésio associada ao potássio. O sistema imunológico fragilizado e enfraquecido pode contribuir para o desenvolvimento e progresso da Endometriose, alterando, assim o comportamento imunológico de pacientes com Endometriose. A supressão da resposta imune aumenta os riscos ou piora os sintomas alérgicos que freqüentemente acometem essas pacientes.
Funções: essencial para o metabolismo e a síntese de ácidos nucléicos e proteínas.
Fontes: cereais inegrais, soja, nozes, lêvedo de cerveja, legumes, hortaliças verdes.

ZINCO

A queda nos níveis desse mineral prejudica as funções do timo podendo resultar numa diminuição de produção de células T predispondo o indivíduo a infecções ou, em contra-partida, aumentando a sua produção ocasionando um ataque ao organismo e conseqüentemente estados alérgicos ou doença auto-imune, como o Lúpus eritematoso, com o qual está associada em algumas vezes. A inadequação imunológica pode deprimir o estado funcional do eixo hipotálamo-hipófise gonádico levando com isso a possibilidade de anomalias cromossômicas. Algumas condições nutricionais interferem com a absorção de zinco:
  1. Ingestão exagerada de fibras(ácido fitico)
  2. Dieta rica em cálcio
  3. Ferroterapia
  4. Ingestão de álcool, diuréticos e refrigerantes da categoria "cola".

Por outro lado, alimentação rica em farinha integral e derivados do leite (ricota, iogurte) podem melhorar a absorção de zinco. A excreção do mineral é extremamente influenciada pelo uso de açúcar refinado (sacarose). A sua deficiência tem sido relacionada clinicamente com disfunção menstrual, varizes, irritabilidade, ganho de peso e depressão. Funções: modula sistema imunitário, estruturação e funcionamento das membranas celulares, antioxidante, regula a informação genética. Fontes: farelo, cogumelos, ostras, ovos, cereais integrais e lêvedo de cerveja.

ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS

Tem se tornado evidente que o óleo de prímula pode exercer efeito anti-inflamatório geral, provavelmente devido a sua habilidade em aumentar a síntese de PGE1 e corrigir a relação entre as PGE1 e PGE2. Os ácidos graxos polinsaturados presentes em óleo de peixe podem inibir o crescimento de implantes endometriais através da inibição da conversão do ácido aracdônico para eicosanóides inflamatórios, provavelmente interferindo com a ação estrogênica. O ômega 3 encontrado em óleo de peixe de águas frias tem se revelado inibidor do metabolismo do ácido aracdônico, porque é precursor de PGE2 causadoras de inflamação.

SELÊNIO

Apresenta atividade anti-inflamatória e pode aumentar a resposta imunológica. Selênio, vitaminas A, C e E têm sido usados como tratamento coadjuvante em doença reumática e Endometriose. Pessoas com conhecida sensibilidade ao lêvedo devem usar uma forma inorgânica de selênio.
Funções: antioxidante, co-enzima.
Fontes: germe de trigo, fibras vegetais, atum, cebola, tomate, brócolis, rins, pão integral.

DLFenilalanina (DLPA)

O mecanismo de ação da DLPA envolve a inibição de enzimas que normalmente inativam as endorfinas, os anestésicos naturais do organismo. Estas enzimas incluem carboxipeptidase A e a encefalinase. Quando a inibição dessas enzimas degradantes é alcançada, as endorfinas podem produzir alívio da dor por um período mais prolongado. Cuidado: pessoas co fenilcetonúria ou gestantes não devem usar esse aminoácido. Dosagem utilizada: um comprimido, 2 vezes ao dia, aumentando a dose progressivamente. Uma vez conseguida a posologia correta, o alívio dos sintomas deve ocorrer em poucos dias, a sua ação pode ser prolongada e seus efeitos podem persistir por 2 a 3 semanas após o término do tratamento.

SISTEMA ENDÓCRINO

Existem evidências de que a Endometriose requer estrogênio para seu desenvolvimento. Isto é evidenciado pela eficácia do uso de antagonistas do LHRH atuando através de um mecanismo hipoestrogênico. O balanço estrogênico no organismo está relacionado a um processo nutricional. A conversão do estradiol e da estrona em estriol, hormônio de fraca atividade mitótica, é uma função dependente da dieta, que pode ser prejudicada pelo consumo exagerado de açúcar e pela dieta pobre em proteínas. A relação estriol/estradiol alta no organismo, tem efeito protetor contra câncer de útero e de mama. Níveis incontroláveis de estrogênio têm contribuído para sérios problemas de Endometriose. Os componentes da dieta feminina também podem contribuir com efeitos exógenos nos receptores hormonais, por exemplo, frutas cítricas possuem bioflavonóides, as quais imitam o estrogênio e podem causar crescimento endometrial se consumido em excesso. Os inseticidas também apresentam atividade estrogênica; portanto frutas e vegetais devem ser lavados antes do consumo. Alimentos ricos em gordura ou colesterol são os grandes responsáveis pelo ganho de peso. Pesquisadores descobriram que esses ácidos graxos saturados têm a habilidade de converter androstenediona em estrona estimulando a produção estrogênica. O fígado necessita de vitamina B1, B2, B3, B5 e B6, colina e inositol para criar as enzimas necessárias. O estresse rapidamente deprime as vitaminas do complexo B do organismo, assim como o consumo de álcool, açúcar, pão branco e cafeína. Esta última também aumenta os níveis de algumas prostaglandinas. Os vegetais contribuem para o aporte de complexo B sendo também uma das maiores fontes de magnésio. O eixo hipotálamo-hipofisário gonadal é altamente sensível ao aporte de complexo B.A baixa ingestão deprime a secreção de gonadotrofinas e, consequentemente o desenvolvimento folicular antes de um efeito direto na célula germinativa. Baixa ingestão de complexo B também pode diminuir a maturação oocitária e afetar a fertilidade de pacientes com Endometriose. Má absorção pode ser um outro fator devido a destruição da flora intestinal por uso de antibióticos ou esteróides. O tratamento prolongado das mulheres com Endometriose pode incapacitar a produção de complexo B pelas bactérias probióticas no intestino, prejudicando os níveis naturais de complexo B(B1,B2,B6) e a absorção pelo trato digestivo.
Pirâmide Alimentar Atual

Conclusão

A bioquímica celular é dependente do estado nutricional e este aspecto tem sido negligenciado em relação à Endometriose. A nutrição saudável é um passo positivo que cada indivíduo realiza no sentido de manter sua saúde. Uma das maiores reclamações das mulheres com Endometriose é sobre a sensação de perda de controle sobre seu corpo e sua vida o que leva a raiva e frustração, desespero e desmotivação. A nutrição desempenha um papel importante no tratamento. A maioria dos profissionais médicos que trabalham com mulheres que apresentam Endometriose não sabem dimensionar o grau de nutrição das pacientes, nem avaliar a adequação de absorção de nutrientes ou depleção enzimática. A nutrição também desempenha um papel vital no desenvolvimento de certas doenças, como câncer de mama, doenças cardiovasculares, artrite, etc. Talvez a Endometriose tenha relação com alterações metabólicas, disfunção enzimática ou hormonal devido a má nutrição ou defeito genético. No organismo o fígado é o órgão responsável pela degradação dos estrogênios convertendo-os em estriol. A adequação nutricional é um pré requisito para a fertilidade e como, na média, a dieta das mulheres é rica em açúcar, gorduras e amido os quais não oferecem suficiente quantidade de vitaminas e minerais, não há condicionamento desejável no sistema endócrino para preparar o sistema reprodutivo para a gravidez. A correção de deficiências sub-clínicas de certos nutrientes, pode representar uma ajuda para a recuperação da fertilidade, da dor e da inflamação, por meios naturais. Uma nutrição balanceada também ajuda a estabilizar a função do sistema imune, o qual é de vital importância para mulheres com Endometriose. Certas vitaminas possuem propriedades analgésicas e anti-inflamatórias correspondentes àquelas apresentadas por drogas usadas em tratamentos convencionais, porém, sem evidenciar efeitos indesejáveis. Se a paciente tomar doses adequadas de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais, é possível melhorar significativamente a resistência à dor. Muitas pesquisas ainda necessitam ser realizadas para que possamos comprovar a real eficiência desses nutrientes e assim reduzir o sofrimento dos indivíduos que desenvolvem dor crônica tornando-os debilitados e limitados em relação ao seu estilo de vida.

Apêndice:

Vitamina B2 (Riboflavina)
Funções: essencial para produção de energia.
Fontes: leite, fígado, lêvedo, queijo, folhas verdes.
Vitamina B3 (Niacina)
Funções: síntese de hormônios sexuais e sistema nervoso.
Fontes: fígado, cereais integrais, amendoim, ovo, abacate e peixes.
Vitamina B5 (Ácido Pantotênico)
Funções: sistema nervoso, estresse adrenal.
Fontes: carne vermelha, cereais integrais, farelo de trigo, rins, nozes, frango, melado e ovos.
Ácido Fólico
Funções: previne mal formação congênita. Participa da divisão celular.
Fontes: folhas verdes, cenoura, lêvedo, fígado, abacate, cereais integrais, gema de ovo, melão, damasco.
Vitamina E (Tocoferol)
Funções: antioxidante sistema imunitário e proteção cardiovascular.
Fontes: germe de trigo, soja, óleos vegetais, brócolis, verduras, cereais integrais e ovos.
Vitamina D
Funções: Absorção de cálcio e fósforo.
Fontes: alimentos de origem animal, óleo de peixe.
Vitamina A (Retinol e Beta-caroteno)
Funções: pele e olhos, sistema imunitário, antioxidante.
Fontes: Reinol: fígado, ovos, laticínios e óleo de fígado de bacalhau.
Beta-caroteno: frutas e vegetais de cores fortes (amarelo-laranja).
Cromo (Elemento-traço)
Funções: regulação de hidratos de carbono. Modula a resistência periférica à insulina.
Fontes: cereais integrais, carne, queijo, lêvedo de cerveja, melado e gema.
Cobre (Elemento-traço)
Funções: síntese dos eritrócitos, antioxidante.
Fontes: fígado, cogumelos, moluscos e crustáceos, nozes, frutas, rins e legumes.

Como os Suplementos Podem Ajudar no Alívio dos Sintomas da Endo

Todos os suplementos enumerados podem ser usados conjuntamente ou acompanhando as medicações prescritas por seu médico. Comece tomando a combinação tradicional VITEX aANGÉLICA-CHINESA, plantas que ajudam a corrigir os desequilíbrios hormonais que intensificam a dor da Endometriose. Além disso, a exemplo do INHAME-MEXICANO, elas relaxam o útero. Não deixe, também, de experimentar uma combinação lipotrópica, que estimula o fígado a depurar o excesso de estrogênio do corpo. Para melhores resultados, use esses suplementos durante todo o ciclo menstrual. Se as cólicas menstruais forem dolorosas, tome cálcio e magnésio em altas doses, conforme indicado, mas somente durante a menstruação. Esses minerais ajudam a diminuir a produção de prostaglandinas, substâncias fabricadas pelas células do endométrio, que geram as cólicas menstruais. Se alguns meses de uso desses suplementos não ajudarem, tente acrescentar os seguintes: vitamina C, para promover a cicatrização dos tecidos lesados por cistos e cicatrizes; vitamina E, para equilibrar ainda mais a produção hormonal; óleo de linhaça e óleo de prímula, para ajudar a controlar a inflamação.

O que mais você pode fazer ?

Coma produtos de soja, ricos em fitoestrógenos (estrogênios vegetais), que regulam os efeitos do estrogênio sobre os sintomas da Endometriose. Faça exercícios. Em vários estudos, ficou demonstrado sua capacidade de suprimir os sintomas e, inclusive, de prevenir a Endometriose.

Recomendações de Suplementos:

Vitex – dosagem: 225 mg de extrato padronizado, 3 vezes ao dia. Deve conter 0,5% de agnusídeo.

Angélica-Chinesa – dosagem: 200 mg ou 30 gotas de tintura, 3 vezes ao dia. Padronizada para conter de 0,8% a 1,1% de ligustilida. 

Inhame-mexicano - dosagem: 500 mg, 2 vezes ao dia. Tome com alimentos para minimizar o desconforto gástrico.

Combinação lipotrópica – dosagem: 1 a 2 comprimidos, 3 vezes ao dia. Deve conter cardo-mariano, colina, inositol, metionina, dente-de-leão e outros ingredientes.

Cálcio/Magnésio – dosagem: 500 mg de cálcio, 3 vezes ao dia; 300 mg de magnésio, 2 vezes ao dia. Usar essa dose somente durante a menstruação.

Vitamina C – dosagem: 1.000 mg ao dia. Reduza a dose se aparecer diarréia.

Vitamina E – dosagem: 400 UI, 2 vezes ao dia. Verifique com seu médico se você estiver tomando algum anticoagulante. 

Óleo de linhaça – dosagem: 1 colher de sopa (14 gramas) por dia. Pode ser misturado a alimentos. Tome pela manhã.

Óleo de prímula – dosagem: 1.000 mg, 3 vezes ao dia. Tome junto às refeições para aumentar sua absorção.
Últimas descobertas: mulheres que não consomem suficientemente ácidos graxos ômega-3 – encontrados nos óleos de peixe e linhaça – freqüentemente apresentam maior desconforto menstrual. Num estudo dinamarquês, que incluiu 181 mulheres, as que comiam muito peixe tinham cólicas menstruais mais brandas do que as que comiam quantidades pequenas de peixe.

Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira
Doutor em Ginecologia e Obstetrícia – FMUSP, Diretor da Clínica PROFERT
Dra. Edir Catafesta
Médica Assistente da Clínica PROFERT

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